Jane Austen

        Jane Austen era uma escritora da era georgiana, mais conhecida por seus comentários sociais em romances como ‘Senso e Sensibilidade’, ‘Orgulho e Preconceito’ e ‘Emma’.

Quem foi Jane Austen?

img_4830Jane Austen nasceu em 16 de dezembro de 1775, em Steventon, Hampshire, Inglaterra. Embora não seja amplamente conhecida em seu próprio tempo, os romances cômicos de amor de Austen entre a nobreza fundiária ganharam popularidade depois de 1869, e sua reputação disparou no século XX. Seus romances, incluindo Orgulho e Preconceito e Senso e Sensibilidade, são considerados clássicos literários, fazendo a ponte entre o romance e o realismo.

Vida pregressa

         O sétimo filho e segunda filha de Cassandra e George Austen, Jane Austen nasceu em 16 de dezembro de 1775, em Steventon, Hampshire, Inglaterra. Os pais de Jane eram membros da comunidade bem respeitados. Seu pai serviu como reitor educado em Oxford para uma paróquia anglicana vizinha. A família estava próxima e as crianças cresceram em um ambiente que enfatizava o aprendizado e o pensamento criativo. Quando Jane era jovem, ela e seus irmãos foram incentivados a ler a extensa biblioteca de seu pai. As crianças também criaram e fizeram brincadeiras e charadas.
Durante o período de sua vida, Jane ficaria especialmente próxima do pai e da irmã mais velha, Cassandra. De fato, ela e Cassandra um dia colaborariam em um trabalho publicado.
        A fim de adquirir uma educação mais formal, Jane e Cassandra foram enviadas para internatos durante a pré-adolescência de Jane. Durante esse tempo, Jane e sua irmã pegaram o tifo, com Jane quase sucumbindo à doença. Após um curto período de educação formal interrompida por restrições financeiras, eles voltaram para casa e viveram com a família a partir daquele momento.

Casa de Jane Austen

Obras literárias

        Sempre fascinada pelo mundo das histórias, Jane começou a escrever em cadernos encadernados. Na década de 1790, durante sua adolescência, ela começou a elaborar seus próprios romances e escreveu Love and Freindship, uma paródia de ficção romântica organizada como uma série de cartas de amor. Usando esse quadro, ela desvendou sua sagacidade e antipatia pela sensibilidade, ou histeria romântica, uma perspectiva distinta que acabaria por caracterizar muito de seus escritos posteriores. No ano seguinte, ela escreveu The History of England …, uma paródia de 34 páginas de escritos históricos que incluía ilustrações tiradas por Cassandra. Estes cadernos, abrangendo os romances, bem como contos, poemas e peças, são agora referidos como Juvenilia de Jane.
        Jane passou boa parte de sua vida adulta ajudando a administrar a casa da família, tocando piano, frequentando a igreja e socializando-se com os vizinhos. Suas noites e finais de semana geralmente envolviam cotilhões (dança acompanhada de jogo e distribuição de brndes) e, como resultado, ela se tornou uma dançarina talentosa. Em outras noites, ela escolheria um romance da prateleira e o leria em voz alta para sua família, ocasionalmente um que ela mesma escrevera. Ela continuou a escrever, desenvolvendo seu estilo em trabalhos mais ambiciosos como Lady Susan, outra história epistolar sobre uma mulher manipuladora que usa sua sexualidade, inteligência e charme para ter o seu caminho com os outros. Jane também começou a escrever algumas de suas futuras grandes obras, a primeira chamada Elinor e Marianne, outra história contada como uma série de cartas, que acabaria sendo publicada como Sense and Sensibility. Ela começou rascunhos de primeiras impressões, que mais tarde seria publicado como orgulho e preconceito e Susan, mais tarde publicado como abadia de Northanger pelo irmão de Jane, Henry, após a morte de Jane.

         Em 1801, Jane mudou-se para Bath com seu pai, mãe e Cassandra. Então, em 1805, seu pai morreu depois de uma doença curta. Como resultado, a família foi empurrada para dificuldades financeiras; as três mulheres mudaram de lugar para lugar, pulando entre as casas de vários membros da família para apartamentos alugados. Não foi até 1809 que eles foram capazes de se estabelecer em uma situação de vida estável na casa de campo do irmão de Jane, Edward em Chawton.

        Agora com 30 anos, Jane começou a publicar anonimamente seus trabalhos. No período que vai de 1811 a 1816, ela publicou pseudonimamente Sense and Sensibility, Orgulho e Preconceito (um trabalho que ela se referiu como “criança querida”, que também recebeu aclamação da crítica), Mansfield Park e Emma.

Orgulho e Preconceito
Título Original: Pryde and Prejudice
Publicado em 1813, Orgulho e Preconceito é o romance mais popular de Jane Austen.
Enredo:
Elisabeth Benett, a protagonista, é de uma família com cinco filhas, e sua mãe, tem fixação em lhes aranjar bons maridos. Quando Elizabeth conhece o Sr. Darcy, a quem julga arrogante e orgulhoso, ela tem certeza de que ele seria o último homem no mundo, com quem ela poderia ser convencida a se casar. Porém, o amor os leva a superar seus orgulho e preconceito.
Persuasão
Título Original: Pesuasion
Publicado em 1818, persuasão é o último romance completo escrito por Jane Austen
Enredo:
Aos 19 anos Anne Elinor se apaixonara pelo pobre, mas ambicioso jovem oficial da marinha, capitão Frederick Wentworth. Porém, Anne se deixa persuadir por sua família que desaprova o romance, a deixa-lo.
Um reencontro, oito anos depois, resgata sentimentos que jamais haviam se extinguido. Mas, será que os sentimentos dele ainda são os mesmos? Será que conseguirão reconciliar-se ou será tarde demais? Estas são as dúvidas e incertezas que passam a tormenta-la.

Razão e Sensibilidade

Título Original: Sense and Sensibility
Foi o 1º livro de Austen a ser publicado, em 1811, e foi escrito sob o pseudônimo “A Lady”.
Enrredo:
Após a morte do pai, as irmãs Elinor e Mariane (a racional e a sensível), são obrigadas a se acostumar com um estilo de vida mais simples. E, a medida que buscam a felicidade, aprendem uma com a outra a encontrar o equilíbrio entre a razão e a sensibilidade.

Mansfield Park

Título Original: Mansfield Park
Enredo:
Aos 12 anos, Fanny Price teve que ir morar com a família de seu tio Sir Thomas Bertram devido a difícil condição financeira de seus pais. Embora fosse desprezada por maior parte da família, que faziam questão de lembra-la de sua inferioridade, passou a ser a protegida de seu primo Edmund. Contudo, esta gentileza, fez com que os sentimentos de Fanny para com Edmund, se tornassem mais profundos do que ele imaginava.

Emma

Título Original: Emma
Enredo:
Emma Woodhouse, jovem, rica e bonita, considerava-se a pessoa mais apta para dar conselhos amorosos. Porém, ela própria, jamais havia se apaixonado, na verdade, tinha certeza de que permaneceria solteira pelo resto da vida. Contudo,  o amor de sua vida, estava mais perto do que imaginava.

Abadia de Northanger

Título Original: Northanger Abbey

Enredo:

Ao passar algus dias na casa de amigos da família, em Bath, Catherine Morland, conhece vários jovens da cidade, entre eles Henry Tillney. E é convidada pelo pai dele, o general Tillney, a visitar uma de suas propriedades, a Abadia de Northanger. Animada com o clima de mistério, a moça aceita o convite prontamente e, durante sua estadia na casa, entra num conflito entre ficção e realidade.

Lady Susan

É um pequeno romance epistolar de Jane Austen, possivelmente escrito em 1794 mas não foi publicado até 1871. Nunca foi publicado em português.

Enredo:
Este romance epistolar, uma das primeiras obras completas que a autora nunca  submeteu a publicação, descreve os esquemas da personagem principal, a viúva Lady Susan, enquanto ela busca um novo marido para ela, e outro para a filha. 

Morte e Legado

        Em 1816, aos 41 anos, Jane começou a ficar doente com o que alguns dizem que poderia ter sido a doença de Addison. Ela fez esforços impressionantes para continuar trabalhando em um ritmo normal, editando obras mais antigas e iniciando um novo romance chamado The Brothers, que seria publicado após sua morte como Sanditon. Outro romance, Persuasion, também seria publicado postumamente. Em algum momento, a condição de Jane se deteriorou a tal ponto que ela parou de escrever. Ela morreu em 18 de julho de 1817, em Winchester, Hampshire, Inglaterra.

        Enquanto Austen recebeu alguns elogios por seus trabalhos ainda vivos, com seus três primeiros romances ganhando atenção crítica e aumentando a recompensa financeira, não foi senão depois de sua morte que seu irmão Henry revelou ao público que ela era uma autora.

          Hoje, Austen é considerada uma das maiores escritoras da história inglesa, tanto por acadêmicos quanto pelo público em geral. Em 2002, como parte de uma pesquisa da BBC, o público britânico votou em seu número 70 na lista dos “100 britânicos mais famosos de todos os tempos”. A transformação de Austen de autora pouco conhecida em renomada internacionalmente começou na década de 1920, quando estudiosos começaram a reconhecer seus trabalhos como obras-primas, aumentando assim sua popularidade geral. Os Janeites, um fã-clube de Jane Austen, eventualmente começaram a ter um significado mais amplo, semelhante ao fenômeno Trekkie que caracteriza os fãs da franquia Star Trek. A popularidade de seu trabalho também é evidente nas muitas adaptações de cinema e TV de Emma, ​​Mansfield Park, Orgulho e Preconceito e Senso e Sensibilidade, assim como a série de TV e filme Clueless, que foi baseado em Emma.
         Austen esteve no noticiário mundial em 2007, quando o autor David Lassman enviou a várias editoras alguns de seus manuscritos com pequenas revisões sob um nome diferente, e eles foram rotineiramente rejeitados. Ele narrou a experiência em um artigo intitulado “Rejeitando Jane”, um tributo adequado a um autor que pudesse apreciar humor e humor.

Histórico social na época de Jane Austen

          O período britânico de Regência compreende a regência de Jorge IV como Príncipe de Gales, durante a enfermidade de seu pai, Jorge III, e constitui uma ponte entre o período georgiano e o vitoriano.

         Jane Austen viveu na época da regência, porém sua obra literária se caracteriza por descrever com mais precisão a sociedade rural georgiana e não tanto as mudanças sofridas com a chegada da modernidade. Essa mudança se baseia em dois fatores externos fundamentais: por um lado, a revolução agrária, que constitui o começo da revolução industrial, e suas importantes repercussões sociais; por outro lado, o colonialismo, as Guerras Napoleônicas e a extensão do Império Britânico.

        Com o advento da industrialização, a antiga ordem hierárquica que situava em alta posição a nobreza e seus bens sofreu um processo de mudança, surgindo novas formas de adquirir riquezas. A revolução agrária havia provocado um incremento na população inglesa, que por sua vez impulsionou a economia para atender a demanda. Pela primeira vez na história da Grã-Bretanha, a população se sustentava, graças às inovações introduzidas nas técnicas de cultivo. Em decorrência disso, uma classe social até então minoritária começou a se fazer notar e ganhar importância: a alta burguesia agrária. A população inglesa iniciou um êxodo do campo para a cidade, buscando emprego na indústria e isso incorreu num novo conceito de valores, independente das velhas tradições.

         No início da era vitoriana, a antiga hierarquia e o que ela representava haviam se tornado antigos. Por outro lado, as Guerras Napoleônicas (1804–1815) abriram outro tipo de profissão, no exército, que nos anos seguintes continuou em alta, devido à expansão do colonialismo; ademais, apareceram heróis nacionais, como o Duque de Wellington, e Lord Nelson, o que outorgava certo romantismo à profissão.

        A era georgiana se caracterizou, também, pelas mudanças sociais no aspecto político. Foi a época das campanhas para a abolição da escravatura, da reforma das prisões e das críticas à ausência de uma justiça social. Foi também a época em que os intelectuais começaram a defender políticas de bem-estar social, e se construíram orfanatos, hospitais e escolas dominicais.

Literatura na época georgiana

         Na literatura, a época georgiana se caracterizou pelo ressurgimento do romance e pela discussão se esse era realmente um gênero literário e de qualidade.

De acordo com Ian Watt, no ensaio The Rise of the Novel, o renascimento do romance ou novela está intrinsecamente enlaçado com o florescimento da classe média, que, diferentemente da nobreza, não havia sido educada com os clássicos, não conhecia o latim, nem o grego, e tampouco compartilhava o interesse pelos temas das literaturas clássicas. Outro fator importante era que a imprensa havia tornado possível a aquisição de livros pelas classes mais pobres; o número de livros publicados cresceu, permitindo um incremento no número de escritores profissionais. Assim, um novo tipo de leitores propiciou um novo tipo de literatura.

        Sem dúvida, uma das críticas que atualmente se faz a Watt é a exclusão das escritoras de romances e novelas em sua descrição dos séculos XVIII e XIX. Hoje se reconhece que mais da metade dos autores durante esta época eram mulheres que, através da escrita, conseguiam certa independência econômica. Não obstante, a qualidade da maioria dessas obras deixava muito a desejar, pois era plena de tópicos e clichês de linguagem e de personagens, herança da literatura gótica. No caso de Austen, ela defende o romance como gênero de qualidade, introduzindo discussões sobre a literatura praticamente em todas as suas obras, e criticando as obras de segunda categoria, como na paródia “Northanger Abbey”.

A educação da mulher

          Durante a época de Jane Austen não existia um sistema de educação propriamente dito, e a educação das crianças era feita nas escolas dominicais, ou, no caso das famílias mais abastadas, através de tutores. Por outro lado, existiam algumas “escolas para damas”, que tinham má reputação, pois ofereciam uma educação deficiente. Também era comum mandar os filhos homens para viver na casa de um tutor, como o era o pai de Jane Austen. Crescendo nessa casa, pode-se supor que a autora foi uma mulher bastante instruída para seu tempo.

O tratado de educação mais relevante para a época era o Emilio de Rousseau, que tem suas bases no Iluminismo. Rousseau propunha que todos os males de sua época se originavam na própria sociedade, e que a única alternativa era provocar uma transformação no homem através da educação; uma educação que o permitisse libertar-se da corrupção que provoca a sociedade. A influência do Iluminismo fez com que se começasse a criar um sistema educativo fundamentado na razão. Sem dúvida, tanto em Rousseau, como em muitos outros pensadores do Iluminismo, a mulher estava excluída dessa necessidade educativa. Como exemplo, em Emilio se faz referência à educação da mulher através da sugestão para Sofía, a mulher destinada a casar-se com Emilio: a mulher deve ser educada para cumprir suas funções de esposa e mãe, e obedecer a seu marido. Sendo assim, não é de se estranhar que numerosos tratados de conduta para mulheres jovens se popularizaram no século XVIII, ensinando doutrinas morais e enfocando a educação em aspectos domésticos, religião e “talentos”, e separando-as de outros conhecimentos, que a tornariam pouco desejável aos olhos masculinos.

        Há muitas passagens na obra de Jane Austen dedicadas aos “talentos”, porém se há algo que todas as obras têm em comum é que nenhuma de suas heroínas está muito interessada por eles. Por talentos, então, se pode entender as diferentes habilidades que uma mulher que busca marido deve cultivar para atrair a atenção dele.

        Jane Austen advoga, em seus romances, por uma educação liberal para a mulher, independente de todos esses “talentos”, pois considera a falta de sensatez um grande risco para a vida social, para a escolha de um futuro favorável, e para a convivência conjugal.

Fontes: https://www.biography.com/people/jane-austen-9192819 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jane_Austen

http://descobrindojaneausten.blogspot.com/p/videos.html

 

Publicado por Vania Tavares

Eu sou casada, formada em letras pela Universidade Estadual de Goiás. Apaixonada por livros e escrever.

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